quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Teste pra alma

 
 
"A esperança é o sonho
do homem acordado" (Aristóteles).

"É um alimento da nossa alma,
ao qual se mistura sempre
o veneno do medo" (Voltaire).

E, de repente, porém, sem grandes surpresas, uma arrebatadora repetição chega, violentamente, tentando desgovernar uma confiança no que está pra ser, outrora concreta, contruída com muito suor, mas que vem sendo questionada pela arrogante negação de uma infantilidade senil. E essa sobrecarga que derruba, esse cansaço pesado que curva ombros magros, estimulando a cabeça a ficar baixa e o olhar a permanecer projetado no asfalto, sem cor, sem brilho, sem luz no fim do túnel... Tamanhas provações previamente previstas numa trajetória vão se avolumando e progredindo num crescer questionável, obscuro, quase invisível. Que cega! Desconfio que já não posso com passos desistidos de coragem, de luta e de fé. Desconfio que continuo projetando aqueles velhos e conhecidos scripts em algo ainda ilusório e imaturo. Inexistente, eu diria. É que desta vez suplico para que o trem não saia do trilho, e o seguir em frente seja mais leve, mais puro, mais simples. [Pois verdadeiro já é, embora ainda não se baste]. E que as pedras do caminho, ah, essas pedras, sejam de areia e se desfaçam com o sopro de uma esperança de quem ainda acredita em final feliz!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dormindo acordada

Meu coração não se cansa,
de ter esperança, de um dia ser tudo que quer"
(Coração vagabundo - Caetano Veloso)


E numa espécie de quase obrigação própria, imposta assim numa circunstância um tanto quanto cabível, porém ainda imatura, redesenho cenários e forço a imaginação a reproduzir, quase que sem cortes, um desenrolar de um desejo num formato intangível. Em vão! Parei então para fazer funcionar a consciência deste movimento intacto e deparo-me, mais uma vez, com a força descomunal de um pedacinho da mente que comanda muitas de nossas ações, sem nem pedir licença: o tal do inconsciente. Deve ter sido ele que resolveu, por causa de um punhado de dores e desamores, esconder aquela vontade latente e bloquear o sonho de uma realidade jamais conhecida [ainda]. Já dizia o sábio Freud: "É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber". E nessa busca de saciar essa adormecida possibilidade [distante?], sigo cuidando de mim e, em meio a este mergulho num labririnto interno e profundo, aguardo o momento certo de me embriagar. Afinal, os melhores sonhos são aqueles que sonhamos acordada!

domingo, 8 de maio de 2011

A-M-O-R!!



Obrigada, Papai do Céu, por ter me enviado uma miniaturinha de gente tão incrivel. Esse ser pequenininho e tão levado me permite vivenciar uma das maiores e mais gratificantes experiências da minha vida!!! Desde que meu anjo chegou, tudo passou a fazer sentido. Confesso que, apesar do trabalho redobrado, das horas sem dormir, dos quilos extras que ainda não foram embora, dos gastos intermináveis, nunca me senti tão forte, feliz, realizada e amada. Nunca!! Depois que você me presenteou com o maior tesouro do mundo, realmente compreendi o que eu vim fazer aqui na Terra. Entendi o verdadeiro sentido da vida. Aprendi a comportar-me como um exemplo. Encontrei um equilíbrio buscado há anos. Deparei-me com uma fortaleza interna, antes adormecida. E passei a construir um castelo não mais de areia. É por isso que hoje, especialmente hoje, Papai do Céu, eu só posso lhe agradecer: obrigada, obrigada, obrigada!!!!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Guardado

Incrível como algumas palavras mergulham na gente e vão logo cutucando memórias sonolentas...Lembro-me tão bem quando, num espaço de tempo longo até, me alertaram sobre o impacto do estrago de um caminho aparentemente definido... Embora tudo parecesse um tanto quanto cabível - e tamanha sabedoria não erraria numa previsão tão firme – em certas situações, queria mais... desde que aprendi a recusar palavras ao vento, não me contentava com o abecedário apenas, mesmo pronunciado numa coerência inigualável. Queria fatos, frases colocadas assim, puras, nuas, cruas. E a nova proposta de apenas palavras, porque fatos mesmo já não me interessam mais agora, pareceu-me agradável, de imediato... todavia, nessa via não mais de mão dupla, o que teriam pra me dizer já não ultrapassa o túnel de um tímpano fechado pelo tempo...

...

...e é o que aparece aí, que falta aqui. Não que realmente exista, ainda questiono - confesso -, mas parece tão verdade, tão real... e não gosto disso. Não gosto porque não acho justo. Não gosto porque não gosto. E pronto! Não preciso mais ficar dando explicações! Não preciso mais expor argumentos furados incapazes de preencher uma dúvida que insiste em cutucar, embora saiba que no fundo ela nem exista. Nunca imaginei que uma verdade mentirosa incomodasse tanto. Nunca!!!

Puzzle

Há gritos por espumas que preencham uma lacuna viva, por substâncias que entupam um vazio latente. Resgate de uma energia que repousava capaz de transformar cenas amarguradas por uma incerteza, ainda! Falta tão pouco para que aquele famoso equilíbrio dê o ar da graça, trazendo consigo um desenrolar fácil, solto, gostoso... quebra-cabeça quase completo. Falta apenas uma peça, só umazinha...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E te mais, Zézim...


(...)
... Zézim, ninguém te ensinará os caminhos. Ninguém me ensinará os caminhos. Ninguém nunca me ensinou caminho nenhum, nem a você, suspeito. Avanço às cegas. Não há caminhos a serem ensinados, nem aprendidos. Na verdade, não há caminhos. E lembrei duns versos dum poeta peruano (será Vallejo? não estou certo): “Caminante, no hay camino. Pero el camino se hace ai anda”.



(...)

...Zézim, não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya / ilusão. Ou samsara / círculo vicioso.

(...)
... Zézim, vou te falar um lugar-comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem....
Caio Fernando Abreu.