ESCREVER SEM PENSAR NO QUÊ





Procuro respostas inacabadas a questionamentos internos que se amontoam em meio a um turbilhão infinito de emoções constantes, cortantes e apaixonantes.



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Adeus sem aceno

E ele veio assim, devagar, estendeu as mãos e me entregou um pacote de lenços para eu limpar meu rosto, encoberto por lágrimas de alívio e aperto.

- Pra você

Foi aí que ele ganhou o mais puro dos sorrisos, que mais parecia um arco-íris em dia de chuva.

- Obrigada.

- Pra você guardar no seu carro, acrescentou, chegando mais perto.

- Claro -, respondi, pensando que, assim, levaria-o por entre ruas e avenidas paulistas. - Eu adoro essa princesa da Disney... é a minha preferida - contei para ele com um ar infantil, apontando o desenho que estampava a caixa de lenços.

Foi aí que ele se aproximou e abriu os braços, me aconchegou em seu peito com uma ternura serena e, enquanto me dava um abraço ‘de tremê’, sussurava baixinho:

- É por isso que você é a mais especial das mulheres. Fica feliz com tão pouco. Dá valor por coisas tão simples...


Eu estava me preparando. Permiti-me cutucar aquela chance que dava de ombros. Tive coragem. Já sarei da miopia faz tempo. Apesar de não ter final feliz, o roteiro já tinha virado best seller... uns torciam, outros desacreditavam... o enredo já havia sido costurado por linhas tortas em agulhas de tricot, pois não se encaixavam naquele outro buraquinho fino. Nós cegos desfaziam, aos poucos, aquele desenho projetado na revista.

Não deu certo.

Eu já sabia. Fui te dizer isso, mas você não deixou eu terminar. E nosso final não teve ponto final. Permanecemos na reticência... Quantas metáforas camufladas em um adeus sem aceno.

And like Van Haley sings: "Love is not enough".

And Avril Lavigne: "You were everything, everything that I wanted. We were meant to be, supposed to be, but we lost it".

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Prece



Inconsciente perturbador, que rouba o fluir necessário.
[E você vem e ainda mexe naquilo que já estava sendo curado].

Mente que guarda o ontem assim, ainda bagunçado, um pouco empoeirado. [Mas já comecei a enterrar aquelas flores que murcharam no meu jardim].

E a renovação comparece em doses homeopáticas.
E essa montanha russa continua me dando náuseas.

Por favor...

Permita-me vomitar esse entrave alojado aqui em cima, para que eu possa sentir a pureza do prazer flutuante, que se recusa a colocar os pés nesses paralelepípedos cinzentos.

Permita-me encontrar aquela sabedoria menos ansiosa e lutar contra aquilo que não me deixa realizar – e essa sabotagem que retoma o que se esconde atrás de qualquer possibilidade de compreensão ...

Permita-me encontrar forçar para reiventar o que se apaga, feito sabotagem já conhecida, insistente, que não quer ir embora - coisas de uma mente que guarda consigo histórias, vivências, dúvidas. Desapego, carência, luto. Que deixa tatuada um bando de conseqüências, fruto daquelas escolhas que atravessam esses vinte e muitos anos. Já foi. Passou. Mas fica.

Permita-me evitar repetições de golpes doloridos frente ao futuro incerto, talvez desenhado - coisas da mente... inconsciente inimigo quando não encarado de frente. Consciente amigo quando se sabe o que vem pela frente.

Permita-me banhar-me em piscinas de equilíbrio e paz, para que o amanhã continue sendo um mistério sem incomodar, e que eu saia encharcada de revitalização do que ainda pode vir a acontecer. Pronta para mais uma braçada de liberdade e realização.

Amém!

And like Luciana Leitão always repeats: Tudo é a mente!!

And like Eagle sings: “Better put it all behind you, baby, cause life goes on. You keep carryin' that anger, it'll eat you up inside”.

And also Celine Dion: “I just have to admit, that it’s all coming back to me now”.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Tudo ou Nada


Não sei mais nada.
Não sei o que se passa, o que sinto, o que espero, o que desejo.
Não sei como tudo aconteceu, como foi chegar a esse ponto e qual o destino que tomará.
Não sei mais nada.

Mas será que preciso saber?
Às vezes, a superficialidade do nada pode dizer muito mais coisas do que a pseudo complexidade do tudo.
Às vezes o tudo é vazio e o nada tão mais completo, mais vivo, mais tudo....
Às vezes tudo está tão claro e continuamos achando que nada ainda está explicado.

O importante é viver não esperando saber tudo do nada.
Apenas viver
... sem buscar respostas, sem buscar soluções...
Apenas viver...
... sem saber nada, ou sabendo tudo....

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Recôndito


Raspei com a colher aquele restinho que ainda adoçava minha imaginação e me alimentava de sonhos de anteontem.
[E essa intensidade que leva para bem fundo e sangra];

O que é que tem, eu sempre cavei para buscar aquela resposta ainda oculta. [Tinham me prometido que o tempo traria ela pra mim...];

Sensação estranha, de presente tão esperado que me recuso a desfazer o laço. [Sei que depois ele não fica bonitinho, como haviam embrulhado];

Nada como decorrências de um encontro certa vez camuflado, ainda (e sempre?) machucado.
[Justo nesse momento em que tenho todos os motivos do mundo para não querer encará-lo];

Cansam-me buracos internos não compreendidos, empurrados para debaixo do tapete como se desaparecessem de dentro do íntimo.
[Sempre digo que uma hora o vento passa e a poeira dá alergia e derruba];

É por isso que eu pego a colher e raspo qualquer vestígio de sentimentos adormecidos.
[Uma sensação violenta, como uma paixão avassaladora que atravessa derrubando tudo];

Depois levanto mais leve, serena, e mesmo sozinha, é como se todos morassem dentro de mim.
[Tudo é uma questão de limpar a casa para arrumar o terreno].

Só queria um relógio que andasse mais rápido, ou uma nave que me levasse até o próximo verão.
[Por enquanto varro o restinho da sujeira que restou...].

Frase do dia: Cuidado com o que desejas!!

Quase



Um quase alívio. Angústia ainda entalada como um espirro que começa hoje e só termina amanhã. O recomeço de um sonho guardado há tempos. Ontem dois. Hoje um. Minhas mãos sabem muito bem construir a obra de arte sozinha. Que tragam a argila!!

Escada da minha subida



[E a inteligência é comprovada – e admirada – pelo grau de dificuldade que aquela ação, de fora, aparenta ter]

Pedaço independente, que mora longe, mas vive dentro. Continuação de um ser que cresce, proteção vigiada, companhia imensurável, presença distante, sempre ligada pelo cordão que não arrebenta: une!

Amor incondicional, complemento de vivacidade repetitiva, que torna-se real a cada nova segunda chance. Presente de provações cobradas que machucam, mas sempre valem a pena.

O sempre é sempre pouco, insuficiente para alimentar a alma da somatória singela, fortificada, pura. Superego que encaixa num ventre aquecido e aconchegante, ansioso pelo desenvolvimento equilibrado, ambíguo, que doa, ensina, divide.

Injusto alimentar nós cegos e secos quando a vida quer engolir agradecimentos cíclicos nesse mundo quadrado e pelo avesso.

Que privilégio ter o impulso celestial da vida sentada bem ali...


“Nunca no universo existe nada na vida!!!”

Escada, essa é pra vc!!!

O novo de novo



O incômodo do vento gelado que arrepia meus pêlos acompanha a insônia que toma conta do meus olhos cansados e aterrisa cheio de incertezas certas em meu íntimo, mas insiste em buscar a razão naquilo que já sabe, porque sente.

Hoje já é amanhã e já passou.
O ontem foi verdade e acabou.
O depois de amanhã traz aquilo que já vi dentro de mim, porém insisto que a razão me convença.

Como é que pode começar tudo de novo e não ser velho?
Dá para o ontem ser amanhã de novo e ainda continuar novo?

Crescendo


Trançando palavras para manter-me viva.
[Deve ser por isso que eu prefiro cabelos longos]

Esconso


Numa velocidade descomunal, assim escondidinho, esqueço a secura da obrigação e transformo em responsabilidade aquilo que ainda é um faz-de-conta. [Ainda]. Empurro pra debaixo do tapete tudo que posso resolver amanhã, - apesar de saber que vem temporal por aí - mas caramba, sei que o dia acaba.... e depois começa outro e outro... [é por isso que nunca dá tempo de terminar, menina]. Será que tudo isso é uma invenção enraizada e venenosa, que mata aos pouquinhos? Tudo que é errado, se faz escondidinho... que é pra ninguém ver...

Ame amar o amor


Amo amar o amor
Amo o amor pelo amor
Amar o amor é fácil
O amor ama quem o ama
Ame amar o amor
Que o amor também o amará
E não há melhor amor
Do que amar o amor do amor
Do que o amor amar seu amor
Ame amar, seja o amor do amor
Ou qualquer outro amor
O importante é amar amar
Independente do amor que for


E como diz Legião Urbana: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há".